O que é necessário para ser um professor bilíngue?

Logo Bilinguismo Bilinguismo

O que é necessário para ser um professor bilíngue?

17/05/2018 Anatevka Guedes
professor bilíngue

O que é necessário para ser um professor bilíngue?

A fluência em inglês é suficiente para quem deseja ser um professor bilíngue?

Como não existe um consenso da legislação no Brasil acerca da formação de um professor bilíngue (apenas alguns estados possuem legislação e elas são diferentes), muitas pessoas ficam na dúvida sobre quais são as habilidades e competências necessárias para esse profissional.

Embora a fluência no idioma seja extremamente necessária para um professor bilíngue, existem outros elementos e características importantes a serem levadas em consideração.

Qual é o nível mínimo de fluência exigido no idioma?

O professor precisa ter um nível muito bom de inglês (pelo menos C1, conforme os padrões estabelecidos no Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas).

quadro-comum-europeu-referencia
Quadro Comum Europeu de Referência

Sabemos que não é fácil encontrar profissionais com este nível no mercado. No geral, temos professores com o nível B2.

No processo de educação bilíngue, professor e aluno evoluem na língua. O tempo de exposição à língua adicional é grande e exige muito estudo por parte do professor de inglês.A tendência é melhorar. O acompanhamento pedagógico constante é parte fundamental deste processo.

O professor bilíngue precisa ter formação em pedagogia?

Na maioria das vezes, sim, pois a pedagogia ajuda no conhecimento e gestão de sala de aula. A observação de aula e o feedback são importantes no desenvolvimento do professor, uma vez que a sala de aula bilíngue tem características bem diferentes da sala de um curso de inglês.

Existem diversos desafios encontrados em uma escola bilíngue, tais como:

• o número de alunos em sala de aula;

• a filosofia e a abordagem de ensino que a escola escolheu;

• o fato de que os alunos que vivem em um ambiente cuja língua de casa é o português;

• os colaboradores da escola que falam português;

• a descrença da equipe da escola;

• o layout e a organização das cadeiras na sala de aula.

Todos esses desafios precisam ser vencidos pelo professor bilíngue no dia a dia. Conhecer bem a filosofia da escola, participar dos eventos que ela promove, conhecer a equipe e trabalhar em colaboração com todos são atitudes essenciais para que o ambiente em inglês seja preservado e que todos cresçam.

Quais características são mais importantes para um professor bilíngue?

Adaptabilidade

adaptabilidade
Fonte: Freepik

A capacidade de se moldar e de mudar é essencial. O professor bilíngue precisa ser capaz de quebrar paradigmas, precisa estar aberto ao novo.

Mudar hábitos leva tempo, principalmente quando o professor está dando aula há muito tempo, do mesmo jeito e, geralmente, de ensino tradicional de língua.

A construção de um novo professor leva tempo, mas, quanto maior a adaptabilidade, melhor e mais rápido será o resultado.

“Nos rios, a água que você toca é a última que passou, mas também a primeira que veio.” Leonardo Da Vinci

Gosto pelo estudo

gosto-pelo-estudo
Fonte: Freepik

As aulas de educação bilíngue são em inglês, trabalhando as matérias nessa língua.

O professor de inglês dará aulas de matemática, geografia, educação física, história, ciências e outras disciplinas. Assuntos bem diferentes de uma aula de língua inglesa, cujo foco é apenas a língua.

Um professor de inglês ensinando fração precisa estudar e gostar de estudar, mesmo que não goste de matemática. O aluno percebe rapidamente quando o professor está inseguro sobre o assunto e isso não pode acontecer.

É necessário estudar, pesquisar e aprender a ouvir e compartilhar. Seu aluno pode saber muito mais que você na aula de matemática e isso é normal. Não basta gostar de ensinar, é preciso gostar de aprender!

“Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende.” Leonardo Da Vinci

Empatia

empatia
Fonte: Freepik

O professor bilíngue precisa se colocar no lugar do aluno e entender que cada um tem um jeito diferente de ser e de aprender.

Nas universidades, fala-se muito sobre o respeito às características individuais, mas no dia a dia, a gente acaba esquecendo que o aluno que tem vontades, dificuldades e habilidades diferentes, é tratado e exigido de maneira análoga, sem levar em consideração suas singularidades.

É importante conhecer a preferência de cada aluno. Isso ajuda muito na construção da relação de confiança professor-aluno, o que contribui na elaboração do seu plano de aula, na antecipação de problemas, nos jogos e atividades que você irá propor.

O professor precisa colocar o aluno como ator principal.

” Para entender o que o outro diz, não basta entender suas palavras, mas também seu pensamento e suas motivações.” Lev Vygotsky

Humildade

humildade
Fonte: Freepik

Como disse no item anterior, o aluno é o ator principal. O professor de inglês precisa “step down” e reconhecer que o aluno sabe mais sobre o conteúdo que ele, precisa aproveitar os momentos ricos e cada oportunidade que surgir, pois são nesses instantes que haverá interação e motivação para usar a língua adicional.

O professor passa a ser o coadjuvante do conhecimento e irá aprender muito com os alunos também. Há uma melhora considerável linguística e cultural para todos.

“A interação social é a origem e o motor da aprendizagem.” Lev Vygotsky

Abertura para feedback

abertura-para-feedback
Fonte: Freepik

O professor bilíngue precisa estar aberto ao feedback. Ele precisa tirar da cabeça a ideia de que feedback é um instrumento de julgamento. Esta é uma visão superficial!

O feedback, quando bem feito, constrói e desenvolve o professor e deve servir também para mostrar soluções, não apenas apontar problemas.

Quando o professor consegue enxergar todas essas vantagens e esse crescimento, o observador, antes temido, passa a ser requisitado.

“Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.” Paulo Freire

Crença

crença
Fonte: Freepik

O professor precisa acreditar no processo bilíngue. Quando ele não tem essa crença, dificilmente ele terá resultados.

O professor não pode subestimar os alunos e achar que eles não serão capazes de aprender ou de entender. A questão é muito importante e o professor precisa conhecer profundamente as teorias que embasam a educação bilíngue para ter uma visão mais ampla do que é educação bilíngue.

“O desejo profundo da humanidade pelo conhecimento é justificativa suficiente para nossa busca contínua.” Stephen Hawking

Vontade de mudar o mundo

mudar-o-mundo
Fonte: Freepik

O professor tem uma ferramenta muito poderosa nas mãos: o poder de construir pessoas melhores.

Na verdadeira educação bilíngue, as habilidades que serão trabalhadas vão muito além de uma língua. O cérebro bilíngue é capaz de entender o outro melhor, aceitar diferenças, transitar entre culturas e comunicar-se melhor com o mundo.

O professor bilíngue pode fazer brotar nos alunos essa vontade de mudar o mundo.

“A primeira meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas; homens que sejam criadores, inventores, descobridores.” Jean Piaget

A figura do professor facilitador é crucial no processo inteiro. No palco, ele é diretor da peça, que age para que o ator, o aluno, dê o seu melhor e para que as falas sejam claras e precisas, e para que todo o conhecimento do aluno seja aproveitado e sua performance seja um sucesso.

A quebra do paradigma e a aceitação do novo são atitudes importantes para que o professor bilíngue não seja o transmissor de conhecimento, mas o mediador da construção de um novo mundo.

“THE EXPERIENCES WE HAVE SHAPE OUR MIND AND OUR BRAIN.”
ELLEN BIALYSTOK

Se você é um professor fluente em inglês e acredita que tem perfil para se tornar um professor bilíngue, me mande um e-mail. Quero conhecer você!

Anatevka Guedes

Mestranda em ESL pela Framingham State College e gerente acadêmica de educação bilíngue.